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O que é uma Entidade Certificadora?
 

Introdução

Com o crescimento de popularidade da Internet, Extranet e Intranet, um crescente número de organizações e indivíduos observam as redes informáticas como um meio eficiente para troca e distribuição de informação. No entanto, sendo a Internet actualmente considerada como um dos canais mais atractivos para comunicar em tempo real, aqueles que desejam tirar vantagem da sua presença nestas redes têm que assegurar a utilização de meios confiáveis para essa troca de informação.

A necessidade de segurança na rede

Sem as medidas de segurança adequadas, os participantes em processos de troca de informação têm que se preocupar com um conjunto de ameaças - as fraudes electrónicas:

- Alteração de dados (Data Tampering) - alteração do número de uma conta bancária numa transacção financeira, por exemplo.

- Visualização de dados confidenciais (Eavesdropping) - monitorização de uma sessão de troca de informação e apoderar-se de segredos alheios, por exemplo.

- Impersonificação (Masquerading) - um dos elementos de uma troca de informação apelidar-se perante terceiros como se de um outro elemento se tratasse, por exemplo.

As precauções quanto à fraude electrónica são especialmente importantes quando se considera que os dados são armazenados em vários sistemas informáticos, quando estão em trânsito entre os elementos de uma troca de informação.

Existem tecnologias especialmente concebidas para possibilitar a criação de sessões para troca segura de informação. Estas tecnologias incluem o SSL (Secure Sockets Layer), o Secure-HTTP (S-HTTP), o Secure-MIME (S/MIME) e os Certificados Digitais de Chave Pública.

SSL, S-HTTP e S/MIME

A tecnologia hoje disponível em aplicações de correio electrónico, servidores de informação ou browsers possibilita a utilização de serviços seguros e confiáveis de uma maneira fácil, sem que os elementos da troca da informação se tenham que preocupar com a fraude electrónica.

Basicamente, estes protocolos permitem a criação de sessões seguras de troca de informação em que os intervenientes se identificam, e sobre a qual partilham informações de uma maneira segura. Através do uso de técnicas criptográficas tais como a cifragem e assinaturas digitais, estes protocolos:

- Permitem a autenticação dos elementos de uma troca de informação (remetente e destinatário).

- Permitem que informação sensível (por exemplo, número de cartão de crédito) seja partilhada pelos elementos de uma troca de informação, mantendo-se no entanto inacessível a terceiros.

- Asseguram que a informação trocada entre elementos não é corrompida, acidental ou deliberadamente, sem detecção.

Uma componente chave no estabelecimento de sessões seguras através dos protocolos SSL , S-HTTP ou S/MIME são os Certificados Digitais. No entanto, sem certificados autênticos e de confiança, os protocolos acima mencionados oferecem um nível de confiança nulo.

Certificados Digitais

As credenciais utilizadas para autenticação de servidores de rede e browsers através de protocolos, tais como o SSL e o S-HTTP, são denominados certificados digitais. O certificado digital utilizado nestes protocolos baseia-se na norma X.509v3 e permite a comprovação da identidade do portador, sendo autorizado e emitido por uma terceira entidade de confiança, conhecida no mundo da segurança electrónica como AC - Autoridade Certificadora (CA - Certification Authority) ou Entidade Certificadora.

Fazendo uma analogia com o Mundo Real, um certificado digital pode ser visto como um passaporte e a AC como o arquivo de identificação. Esta última, verifica a identidade de um indivíduo, cria um documento de confiança reconhecido e acreditado por outros, e emite um Certificado Digital para uso próprio do indivíduo.

A utilização dos certificados digitais, sua constituição interna e grau de confiança, varia consoante as necessidades do indivíduo e as práticas e políticas de exploração de serviços de emissão de certificados digitais pelas quais se rege a Entidade Certificadora.

Entidade Certificadora

Uma Entidade Certificadora é responsável pela emissão de certificados digitais utilizados para identificar comunidades de indivíduos, sistemas, ou outras entidades que utilizem meios ligados a redes informáticas.

Assinando digitalmente os certificados que emite, a Entidade Certificadora relaciona a identidade do portador do certificado, e consequente portador da chave privada, à chave pública existente no certificado.

A Entidade Certificadora, utiliza diferentes processos para proceder à verificação da identidade do indivíduo (por exemplo, verificação de endereço de correio electrónico; verificação de endereço de correio electrónico + nome + morada; verificação de endereço de correio electrónico + reconhecimento presencial do indivíduo + verificação do bilhete de identidade), podendo atribuir diferentes níveis de confiança ao certificado digital, com a garantia, ou não, da veracidade de determinados dados do seu conteúdo.

Triângulo de Confiança

A Entidade Certificadora representa um papel muito importante em termos da confiança da informação transitada numa rede, pois possibilita a criação da terceira entidade na qual as duas partes confiam.

Numa rede informática distribuída e complexa, este modelo de confiança numa terceira entidade é absolutamente necessário, pois existem diversas permutas dinâmicas no relacionamento browser-servidor. Os browsers e os servidores podem não ter criado uma relação de confiança mútua, mas ambas as partes necessitam de criar sessões de comunicação seguras entre elas, necessitando para tal de uma terceira entidade na qual ambos confiam.

A Entidade Certificadora é o vértice superior do triângulo de confiança necessário para o estabelecimento de sessões seguras e de confiança na rede. Cada uma das partes, numa sessão de troca de informação (vértices da base do triângulo), confia na Entidade Certificadora. E como cada uma das partes está certificada pela Entidade Certificadora, cada uma delas pode confiar e reconhecer a outra, criando inevitavelmente uma relação (triangular) de confiança. Podem ambas, assim, utilizar uma sessão segura sem risco de impersonificações. Adicionalmente, como as duas partes da sessão trocam entre si os seus certificados digitais, podem cifrar e assinar digitalmente informação, retirando a terceiros a possibilidade de observação dos dados da sessão ou a possibilidade de os alterar.

A importância da uma gestão completa de chaves criptográficas

O processo de criação de certificados é um dos elementos que uma Entidade Certificadora tem que gerir, mas é absolutamente necessária a gestão completa de todo um ambiente de certificados para estabelecer e manter um ambiente de confiança com terceiros.

A possibilidade de uma Entidade Certificadora identificar certificados não confiáveis (por exemplo, certificados revogados) é tão importante e fundamental quanto o processo de emissão. No momento em que a Entidade Certificadora emite um certificado de chave pública, cria uma relação entre a chave pública de um indivíduo (portador da correspondente chave privada) e os dados relativos ao próprio indivíduo (por exemplo, a empresa em que trabalha ou dados do cartão de crédito pessoal).

No entanto, em algum momento no futuro, e por uma infinidade de razões possíveis, a Entidade Certificadora poderá ter que proceder à revogação do certificado previamente emitido por este já não ser de confiança. Por exemplo, se o possuidor do certificado termina o seu contrato de trabalho com a empresa, por cancelamento de cartão de crédito, ou se a chave privada correspondente à chave pública constante no certificado foi comprometida.

Sem esta capacidade não é possível criar e manter um ambiente de confiança numa rede baseada em criptografia de chaves públicas.

Adicionalmente à criação de certificados confiáveis e à gestão eficaz de processos de revogações, outros aspectos não menos importantes são:

- Geração segura de pares de chaves públicas e chaves simétricas.

- Salvaguarda e uso da componente privada de pares de chaves públicas da Entidade Certificadora num ambiente seguro.

- Actualização, no tempo, das chaves públicas dos utilizadores.

- Certificação cruzada com outras entidades certificadoras.

- Publicação de certificados digitais emitidos num local de acesso público (exemplo: Servidor LDAP ou OCSP).

- Serviço público, em tempo real, para verificação da validade de um certificado.

- Publicação de listas de certificados digitais revogados.

As funções de uma Entidade Certificadora

As funções básicas de uma Entidade Certificadora incluem:

- Aceitar solicitações de utilizadores (por exemplo: browsers, carteiras virtuais) e servidores de rede.

- Efectuar as verificações necessárias quanto ao conteúdo e veracidade das credenciais apresentadas nas solicitações.

- Gerar e emitir certificados digitais.

Um aspecto importante para uma Entidade Certificadora é a integridade e publicidade do seu certificado público. Este é utilizado por browsers e servidores de rede com o fim de verificarem a veracidade do conteúdo de certificados de outrém, sendo necessário que cada elemento numa troca de informação possua uma cópia fidedigna do certificado da Entidade Certificadora, e sendo crucial que a chave pública da Entidade Certificadora seja divulgada por um canal de confiança, e que possa ser verificada em qualquer altura por qualquer um dos elementos da cadeia.

Estrutura dos Certificados Digitais X.509 v3

A estrutura dos certificados geridos pela MULTICERT adopta a norma X.509 v3, possibilitando a customização de conteúdos em extensões previamente definidas e adaptadas (de acordo com as normas PKCS#6 e PKCS#9). Assim poderão ser introduzidos dados específicos do utilizador, níveis de criticidade com respectivos identificadores (por exemplo, a identificação da morada do indivíduo, a codificação do níveis de acesso a informação, o âmbito de utilização do certificado).

Diagrama simples de um certificado digital X.509 v3 (não incluindo as extensões v3 standard)

Informação básica

Formato do certificado
versão 3
Nº de Série do certificado
123456789
Identificador do algoritmo de assinatura da EC
RSA com MD5
Endereço X.500 do emissor
C=PT,o=EC
Período de validade
start=01/08/96,
expiry=01/08/98
Nome X.500 do utilizador
c=PT,o=organização,cn=João Silva + .....
Chave pública do utilizador e método criptográfico utilizado
C.P.U. + RSA com MD5

Extensões V3

Tipo
Criticidade
Valor
morada, bit off/não crítico, Rua das Codornizes 183
Tipo
Criticidade
Valor
âmbito, bit on/crítico, Válido somente para Assinatura Digital
Tipo
Criticidade
Valor
Nível de acesso,bit off/não crítico, 1- geral
Tipo
Criticidade
Valor
......