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Introdução
Com o objectivo de resolver os problemas de segurança
associados às transacções electrónicas
no mundo digital, recorre-se ao uso da ciência
da criptografia.
Para que o utilizador comum entenda o funcionamento
desta tecnologia é necessário primeiro
uma breve explicação sobre criptografia,
nomeadamente a criptografia de chaves públicas.
A criptografia assegura a protecção da
informação usando uma função
matemática ou algoritmo para cifrar e decifrar
mensagens. Um algoritmo simples consegue esconder cada
caracter de um texto, trocando duas letras. Por exemplo,
um A passa a C, um B passa a D, um S passa a A, etc.
Na generalidade existem dois tipos de algoritmos criptográficos:
os simétricos, ou convencionais, em que só
existe uma chave para encriptar e desencriptar.
os assimétricos, ou de chave pública,
em que existem duas chaves diferentes, matematicamente
relacionadas (Pública e Privada).
A noção base a reter quanto à relação
criptográfica entre uma Chave Privada e uma Chave
Pública é simples:
O que uma chave cifra SÓ a outra decifra.
Ou seja :
Qualquer informação cifrada pela chave
privada só é decifrada pela chave pública
correspondente (do par).
Qualquer informação cifrada pela chave
pública só é decifrada pela chave
privada correspondente (do par).
Observação: A Chave Privada é pessoal
e intransmissível e deverá ser alvo de
mecanismos de protecção adequados.
Confidencialidade
Num sistema de encriptação por chave
pública, a informação é
cifrada com a chave pública da pessoa a quem
é dirigida a mensagem e só a pessoa que
tem a chave privada correspondente (o destinatário
correcto) é que consegue decifrar a mensagem.
Com o sistema de chave pública, tanto o remetente
como o destinatário podem, de uma forma segura,
trocar informação privada numa transação
electrónica.
Tomemos como exemplo básico o seguinte cenário:
Para proteger a informação a enviar (dados
confidenciais/dados de encomenda/outros dados), o remetente
utiliza a chave pública do destinatário
para cifrar os dados. Quando o destinatário recebe
os dados, pode decifrar essa informação
com a sua chave privada, e assim obter acesso à
informação original em formato legível.
Enquanto o destinatário mantiver a sua chave
privada segura a informação que é
transaccionada muito dificilmente será acessível
a outrém.
Integridade e Assinatura digital
Uma assinatura digital é um selo electrónico
que pode ser enviado durante qualquer transacção
electrónica. Semelhante a um selo de um pacote
de encomenda, a assinatura digital previne que alguém
possa alterar quer o conteúdo da informação,
quer os dados do verdadeiro emissor do conteúdo.
Qualquer mudança na informação,
nem que seja uma vírgula, será detectada
quando essa assinatura digital for verificada.
Para criar uma assinatura digital é necessário
primeiro que o emissor da mensagem gere uma versão
da mensagem (versão reduzida, 160 bits por exemplo),
conhecida por código Hash ou código da
mensagem. Este código, gerado por algoritmos
públicos (SHA-1, MD5, etc), é único
para o texto original. Basta alterar ligeiramente o
texto original para que o código então
gerado seja completamente diferente.
O emissor cria a assinatura digital ao assinar (cifrar),
posteriormente, o código Hash da mensagem com
a sua chave privada.

Figura 1 - Processo automático necessário
para obtenção de uma mensagem assinada
digitalmente.
Com o objectivo de mais ninguém ter acesso ao
conteúdo da mensagem, a não ser o correcto
receptor, isto é, para garantir a confidencialidade
na transmissão de informação, o
emissor da mensagem adiciona a assinatura digital criada
à mensagem original, que cifra, por sua vez,
com a chave pública do receptor. É criada
assim uma mensagem electrónica confidencial e
assinada digitalmente.

Figura 2 - Processo de cifragem das mensagens
assinadas digitalmente.
Após a recepção da mensagem, o
receptor acede ao texto utilizando a sua chave provada.
A fim de obter a assinatura digital original em formato
legível, o receptor decifra o código Hash
recebido com a chave pública do emissor (Valor
A). Para verificar a exactidão da assinatura
digital e a integridade da informação,
o receptor gera um código Hash com a mensagem
original que recebeu (Valor B), e compara este código
com o que obteve da decifragem da assinatura digital
recebida (Valor A). Se o receptor validar positivamente
a assinatura digital com a chave pública do emissor,
temos a garantia de que a mensagem foi enviada pelo
dono da chave privada e que, simultaneamente, não
foi alterada no seu trajecto.

Figura 3 - Processo de validação
das mensagens assinadas digitalmente.
Certificado Digital
Como podemos ter a certeza de que o par de chaves (pública
e privada) pertence realmente a um determinado emissor?
A reposta é simples: através da utilização
de Certificados Digitais, emitidos por uma terceira
parte confiável.
Antes de duas partes trocarem informação
usando criptografia de chave pública, cada uma
delas, deseja autenticar a identidade da outra parte.
Por exemplo os remetentes querem saber se estão
a lidar realmente com o destinatário eleito.
Obviamente que os destinatários também
querem ter a certeza da identidade dos seus remetentes
e da exactidão das informações
trocadas.
Uma forma de assegurar a autenticação
de cada uma das partes pode ser alcançada através
dos serviços de uma terceira parte que emite
e regule os serviços de gestão de certificados
digitais.
Um certificado digital é um documento electrónico
assinado digitalmente, emitido por uma terceira parte
de confiança, denominada Entidade Certificadora,
tal como a MULTICERT.
Usando metodologias, processos e critérios bem
definidos e públicos, a Entidade Certificadora
regula a gestão dos certificados através
da emissão, renovação e revogação
dos mesmos, por aprovação individual.
Para criar um certificado digital, a Entidade Certificadora
cria um código Hash com, entre outros dados,
a informação da identidade do utilizador
e a sua chave pública. A Entidade Certificadora
«assina» esta informação ao
utilizar a sua chave privada, criando um código
Hash cifrado. Esta informação é
incluída no certificado a emitir. Se a informação
da identidade do utilizador, ou a chave pública
contida no certificado digital, for alterada de qualquer
forma, o certificado é detectado como inválido.
Para confirmar a integridade de um certificado digital,
o receptor:
- Recria o código Hash usando o mesmo algoritmo
e informação que a Entidade Certificadora
utilizou na criação do Hash original para
o certificado em questão (valor A).
- Decifra o Hash existente no Certificado Digital com
a Chave Pública da Entidade Certificadora (valor
B).
- Compara os dois valores obtidos (A e B) e se estes
forem iguais o Certificado Digital apresenta-se como
íntegro. Caso contrário, o Certificado
Digital sofreu alterações e é inválido.
Observação: Utilizando, por exemplo,
o MS Outlook, MS Outlook Express, Netscape Communicator,
ou Microsoft Internet Explorer, esta acção
é processada automaticamente e de forma transparente
para o utilizador.
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